Apostas desportivas no MMA em Portugal 2026: margem, licença e as oito casas
Uma aposta de MMA em Portugal só é legal se a casa estiver na lista do SRIJ — e só vale o que a cota diz depois de lhe tirar a margem.

29 de Outubro, 2026 — dados verificados junto do SRIJ (Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos), da lista de entidades licenciadas de 19 de outubro de 2026 e da página de Modalidades e Competições de 9 de outubro de 2026.
O que se pode apostar num combate, e porque é que a lista é uma whitelist
MMA está na lista do SRIJ. Isso significa que um operador com licença pode oferecer apostas sobre combates — mas apenas dentro das modalidades, competições e eventos que o regulador aprovou, e apenas nos tipos e momentos de aposta que a lista marca para cada desporto. Uma lista fechada, não uma ausência de proibições. Se um combate ou um mercado não estiver lá, não está autorizado: a licença não cobre o que a lista não nomeia, e essa é a diferença que separa uma casa de apostas portuguesa de um site estrangeiro que aceita jogadores portugueses.

A mesma lista não é universal. Fujebol tem mercados que só existem antes do jogo e outros que só existem em direto; no MMA o operador trabalha com o que está aprovado e com o que o evento permite. A consequence prática para quem aposta é simples: antes de perguntar quanto paga uma cota, perguntar se aquele mercado existe naquele operador, naquele momento do combate. Uma aposta não é aceite por ser razoável, é aceite por constar.
Duas exclusões valem mais do que a lista inteira. As categorias de formação estão fora: qualquer prova, evento ou competição abaixo do escalão sénior é proibida, e MMA de base não existe nas listas. E quem pode influenciar um resultado não pode apostar nele — árbitros, treinadores, atletas, agentes e oficiais ficam fora dos eventos a que estão ligados. Nada disto é uma opinião sobre o desporto; é o art. 6.º i) do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online.
A margem da casa não é uma taxa: é o que sobra de cada euro
Uma cota de 1,90 nos dois lados de um mercado não promete 1,90 de lucro a quem acerta. É o preço de comprar o resultado, e o preço já vem com a margem lá dentro. Para a ver, somam-se os inversos das duas cotas — 1/1,90 dá 0,5263, duas vezes 0,5263 dá 1,0526, e o retorno ao jogador é o inverso disso, cerca de 95,0 %. A margem é o que falta: cerca de 5 %. Numa aposta de 20 €, o retorno esperado é 19 €, e a diferença de um euro não é imposto nem Desvio: é a receita da casa de apostas, embutida no preço antes de o apostador ver a palavra «cota».
Esta conta é uma estimativa estatística: é a média de muitos Thousands de apostas iguais, não a promessa de um resultado. Uma aposta isolada de 20 € a 1,90 devolve 38 € se acerta e zero se não acerta, exatamente como o enunciado diz. A média de 19 € descreve o que a margem faz a um grupo de apostadores ao longo do tempo, nunca uma fatura para uma pessoa. O que a margem faz é tornar inevitável que alguém, no agregado, pague a diferença.
Vale a pena notar o que este exemplo não é: não é uma cota de nenhum operador, nem de nenhum combate, nem de nenhum mercado concreto de MMA. É um mercado de dois resultados, construído para tornar visível o que as cota escondem. Quatro processadores num mercado de três resultados (vitória do favorito, empate, vitória do outsider) com os inversos somados a 1,0256 dão retorno de 97,5 % e margem de 2,5 %. Vinte e cinco processadores dão 95,2 % e 4,8 %. Três outcomes cobem quase o dobro de margem do que dois, e é por isso que o empate pagava mal nos velhos accumulator tickets.
A margem não é o mesmo em todos os mercados do mesmo desporto. Um mercado de total de rounds, uma linha de handicap e um Moneyline vive de volumetria diferente e cobra diferente. Por isso «tenho 1,90 no favorito» não diz nada sobre o preço da aposta ao lado no mesmo ecrã: são dois mercados com duas margens. O melhor que um apostador pode fazer para ver a diferença é comparar, dentro da mesma casa e do mesmo momento, o que dois mercados pagam pelo mesmo nível de certeza.
MMA em horário português: onde a cota aparece e onde desaparece
Um combate de MMA é um evento com duas metades de mercado muito diferentes. A luta em si dura pouco: assaltos de cinco minutos, com um minuto de descanso entre eles, e combates sem título vão normalmente até três assaltos, enquanto um combate de título pode ser sancionado para cinco. Sobre isso assenta a decisão — unânime, por maioria ou dividida, e o empate também pode tomar qualquer uma dessas formas. Um combate de desqualificação termina por falta intencional que incapacita um lutador; um «no contest» acontece quando a falta não é intencional. Tudo isto importa para o preço porque o mercado de|Method não é apenas quem ganha: o método de acabamento, a round em que acaba, se vai a decisão ou há nocaute, tudo isso são prognósticos distintos com margens distintas.
Os títulos implicam uma assimetria real nos calendários. Lutas com cinturão divisionais do UFC, principalmente, concentram-se nas madrugadas e manhãs de sábado em Portugal, e é aí que a liquidez dos mercados está mais baixa e as margens, mais largas. Um mercado estreito numa luta grande é fino; o mesmo mercado num evento sem cabeça de cartaz é largo. Aposta desportiva em MMA é, por isso, uma disciplina que lida mal com a ilusão de que a margem é a mesma em todo o lado: é mais espessa no cartelão menor.
E há uma regra estrutural que decide o meio do jogo: nos jogos de futebol, mercados como «próximo marcador» e os de prolongamento eixos de penáltis são só em direto. O UFC, com o seu formato de um combate de cada vez, é o campo natural dos mercados em direto, porque cada round gera uma janela de aposta nova. A aposta deixa de ser sobre o resultado final e passa a ser sobre os próximos trinta segundos. A liquidez entra e sai a cada intervalo, e é aí que o apostador fica exposto.
Enquadramento legal: o que a licença SRIJ garante, e o que não garante
Uma casa de apostas que opera em Portugal tem uma licença própria, separada por categoria. As apostas desportivas à cota são uma licença autónoma, com um número atribuído pelo SRIJ, e é esse número que a casa tem de exibir no seu sítio. A licença corre por três anos, renovável em períodos de três anos, e vem acompanhada de garantias de 500 000 € e de 100 000 €. Uma licença estrangeira não é válida em Portugal: quem tem uma licença no estrangeiro e quer operar cá precisa de uma licença portuguesa, e obtê-la passa por ter um sítio em .pt, com todos os acessos de Portugal redirecionados para lá.

O SRIJ mantém a lista de entidades licenciadas, atualizada a 19 de outubro de 2026, que nomeia 19 marcas. Treze detêm a licença de apostas desportivas; das outras, seis são casino. Das treze, dez estão a operar e três estão suspensas a pedido da própria empresa — uma suspensão voluntária, que não é revogação nem estado offshore. A lista fecha o círculo: é o teste completo de quem tem licença. Uma posição num comparativo não é uma licença. E as marcas que não constam da lista — bet365, Betway, Unibet, William Hill, 1xBet, 22bet — não têm licença em Portugal, ponto.
Sobre o que a licença traz e o que não traz: traz verificação de identidade (Cartão de Cidadão, Chave Móvel Digital, verificação em tempo real através do SRIJ ou cópia de documento), uma conta por pessoa, ferramentas de limite, um registo de autoexclusão e supervisão do regulador. Não traz um tecto de euros. Não existe plafond legal de depósito, de aposta ou de perda: o que a lei exige é um mecanismo, e o mecanismo é o limite que cada operador tem de oferecer — diário, semanal ou mensal, válido apenas naquele onde foi definido. Quem escreve que «em Portugal o depósito é limitado a 500 €» está a inventar.
O que está errado é vender o como segurança. Ter licença é condição de legalidade, não garantia de resultado justo — e um operador Offshore, sem licença, não tem proteção nenhuma: nem verificação, nem limites, nem autoexclusão. Quem aposta lá não tem acesso às ferramentas de um operador licenciado. A Law é clara nos dois sentidos, e o regulador diz isso: qualquer sítio acessível de Portugal sem licença opera illegally, e quem joga num deles pode enfrentar uma coima. Retenção não é licença.
Jogo responsável: limites que existem porque a lei os obriga
A proteção do jogador não é uma questão de boas intenções; é mecanismo. Cada operador licenciado tem de ter um plano de jogo responsável que permita ao jogador limitar os valores depositados e as apostas que coloca. Na prática, o que o SRIJ pede é que haja, no mínimo, um limite diário, semanal ou mensal que o jogador se impõe sozinho — e que vale apenas naquele operador onde foi definido, não em todo o mercado. Subir esse limite demora um tempo que a lei não fixa; cada operador diz o seu nos termos.
Os limites contam com tudo. Não é só dinheiro-your: contam os créditos de bónus. Se o saldo de bónus não entrasse no limite, o limite era uma decor. Uma regra que ignora o dinheiro que não vem do bolso — mas que você pode arriscar — não protege ninguém.
A autoexclusão tem a forma que a lei lhe dá. No sítio de um operador, exclui-se desse operador; na plataforma do SRIJ, exclui-se de todos os operadores licenciados. O período mínimo é de três meses, e pode ser até uma data escolhida ou por tempo indeterminado. Acabar ou encurtar um período só surte efeito um mês depois de comunicação. Uma exclusão de prazo fixo suspende a conta e permite levantamentos; uma indeterminado cancela a conta e devolve o saldo à conta de pagamento. Durante uma exclusão, ninguém abre conta. E a autoexclusão não é a mesma coisa que a proibição — esta última diz respeito às salas de casino físicos, e as duas coisas nunca se juntam. Se alguém precisar, a Linha 1414 — SOS Jogador, do ICAD, atende em dias úteis, das 10:00 às 18:00, gratuita e confidencial.
Isto vale para todos os operadores e é o que explica a lista de limites. Não há imposição legal de stake mínimo ou máximo: cada operador define os seus, publica-os no sítio e aplica-os a todos com igualdade. Condicionar a aposta de um jogador ou de um grupo, mais alto ou mais baixo do que para os outros, está vedado por Orientação n.º 1/2017. O mínimo mais pequeno alguma vez citado numa casa portuguesa é de dez cêntimos, que é o valor de uma entrada de teste, não o valor de uma estratégia.
As oito casas autorizadas, uma a uma
Todas as marcas desta lista têm licença do SRIJ para apostas desportivas à cota e sítio próprio em .pt. Nenhuma delas é casa por definição: a licença autoriza, não recomenda. O que separa uma da outra é o que cada uma faz com essa autorização.
Casino Portugal — a licença 007 e a app que faz depósitos dentro do jogo
Titular da licença n.º 007, a SFP Online S.A. O que a marca documenta é funcional: a aplicação permite fazer depósitos e levantamentos diretamente dentro da app e dá acesso aos principais eventos desportivos para apostar. Para apostas desportivas é preciso ter pelo menos 18 anos e conta registada, e o apoio ao cliente responde por correio eletrónico.
É o perfil de uma casa com casino à frente e desporto a funcionar por baixo. A conveniência está no gesto — depósito e levantamento no mesmo ecrã —, mas o valor dessa app está em exatamente duas funções: conveniência de pagamento e acesso aos eventos de topo. Quem vem pelo UFC e não quer decifrar o meio de pagamento entre o depósito e o levantamento é um candidato natural; quem quer um programa de bónus desportivo não vai encontrar aqui uma promessa de quatro etapas.
ESC Online — a licença 008 e o esquema de freebets
Licença n.º 008, da Estoril Sol Digital. A oferta de boas-vindas para apostas desportivas é o que a marca descreve: uma freebet de 10 € por cada 10 € depositados, até dez freebets e um máximo de 100 € em juego total. Cada 10 € apostados em dinheiro real com cota 2,00 ou superior desbloqueiam uma freebet, e os ganhos das freebets são pagos em dinheiro real — este último detalhe é o que separa uma freebet honesta de uma freebet que fica presa.
A estrutura merece atenção antes de ser. Dez depósitos de dez euros para chegar a cem euros em apostas grátis, cada uma Ophir desbloqueada a cota 2,00 ou mais: a condição não é desprezável, mas o que se ganha em cada aposta grátis é o lucro, não a aposta. Uma freebet de 10 € a 1,90 paga 9 €, e não os 10 € de volta. A conta fecha, e a oferta é mais razoável do que parece à primeira vista — desde que se leia o que está ao pé da freebet e não a palavra «grátis». Para quem faz depósitos pequenos e está a construir conta, o escalonamento funciona melhor do que uma bonificação única.
Betano — a licença 018 e a escada de bónus em quatro etapas
Licença n.º 018, da Kaizen Gaming International Limited. A oferta de boas-vindas é multiproduto e chega a 250 €, distribuída por quatro etapas: na primeira, um depósito de 10 € dá 30 € para jogar, dos quais 20 € em apostas grátis e 20 rodadas; na segunda, bónus de 100 % até 100 € mais 5 € em aposta grátis; na terceira, 10 € em aposta grátis; na quarta, uma aposta sem risco até 100 €.
Quatro etapas é uma escada, e escadas têm um preço. O que se ganha na primeira etapa depende de não se ficar por ela: quem fica pelos 20 € em apostas grátis deixa 230 € na mesa. A aposta sem risco da quarta etapa é, das quatro, a que merece mais leitura antes de acceptar — porque «sem risco» significa stake devolvida em freebet quando se perde, não significa dinheiro de volta. Para quem tem paciência do depósito e paciência para subir as quatro degraus, é a oferta mais longa da lista; para quem quer uma resposta simples no primeiro depósito, é mais complexity do que a maioria precisa.
Placard.pt — a licença 013 e a diferença em relação ao Placard da Santa Casa
Licença n.º 013, da SAS Apostas Sociais, Jogos e Apostas Online. A app para iOS permite apostar nos principais eventos desportivos, acompanhar jogos e apostas em direto e consultar cotas em tempo real. O mínimo de uma aposta é de 0,10 €, e o máximo é definido pelo operador e pode variar com os limites do evento.
O ponto que este nome exige não é opcional. Existe um Placard da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com apostas de quota fixa de base territorial, em talões ou terminais. Esse não é uma licença RJO: é outro regime, e a lei dos jogos online exclui-os explicitamente do seu âmbito. O Placard.pt é um operador online licenciado, de uma empresa diferente, sem bases de dados nem cotas partilhadas com a Santa Casa. Escrever «Placard» sem dizer qual dos dois se quer dizer é a forma mais rápida de não saber com quem se está a falar. O que este operador tem de particular é o mínimo de dez cêntimos e um conjunto de ferramentas de limite explícitas — limites de apostas, de depósitos e de perdas, com autoexclusão a partir de três meses. A app é a parte visível; os limites são a parte útil.
Betclic — a licença 001 e a resposta ao mercado em direto
Licença n.º 001, da BEM Operations Limited. A marca apresenta-se como patrocinadora oficial da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal Betclic, com acesso às principais ligas de futebol, ténis e basquetebol — um largoilin de futebol que, numa página sobre MMA, serve de contexto: é a casa dos desportos de maior volume, não a casa da luta.
O que faz a Betclic ser a Betclic no MMA é o ferramental em direto. A app para iOS inclui Cash Out, que permite encerrar uma aposta antes de o resultado estar fechado, e o modo FastBet, em que a aposta fica confirmada em três toques no ecrã. São duas respostas ao mesmo problema — a velocidade da decisão num mercado que muda a cada round. O Cash Out, convém lê-lo bem: encerra a aposta, não a garante. O valor que sai é o valor atual do mercado, e ele muda com ele. FastBet é para a aposta: quem aposta com dois dedos, ou com o ecrã a tremer, tem aqui a interface feita à medida.
bwin — a licença 002 e a transmissão ao vivo como argumento
Licença n.º 002, da GOBET-Entretenimento. O que a app oferece não é o MMA primeiro: são transmissões em direto de jogos de futebol e eventos selecionados, e os depósitos por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay.
Duas coisas importam aqui. A primeira é a lista de meios de pagamento, e é longa — seis, incluindo dois sistemas de pagamento instantâneo nacionais. Numa casa portuguesa, a «aceitação deste método» é uma decisão do operador, não da lei; a lei exige que os instrumentos sejam eletrónicos, em euros, emitidos porprestadores autorizados e que identifiquem o pagador, e nada mais. Verificar antes a não é tarde demais. A segunda é a transmissão ao vivo: num desporto que se decide round a round, ver é uma vantagem real sobre o que só se lê em números. Os eventos selecionados de MMA, quando transmitidos, aproximam o fight-watching da aposta.
LeBull — a licence 027 e o desporto como produto secundário
Licença n.º 027, da Southern Stingray. A app oferece apostas desportivas em futebol, ténis e basquetebol, com cotas e mercados atualizados em tempo real, numa app pensada para telemóvel.
É a casa mais estreita da lista em termos de desporto, e vale a pena ser claro sobre isso: três desportos, nenhum deles MMA. Quem abre a LeBull para apostar no UFC não encontra a competição. O que a LeBull oferece é a experiência de telemóvel bem-feita em três desportos com cote em tempo real, e uma camada de jogo responsável que não é uma nota de rodapé: a app remete diretamente para a autoexclusão da página do SRIJ e recomenda definir limites de tempo e valor. A decisão aqui é simples: se MMA é o desporto, a LeBull não é a casa; se o que se procura é uma interface de telemóvel limpa, há-de a encontrar aqui.
Solverde — a licença 024 e o claro entre o que faz e o que não faz
Licença n.º 024, da Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde. O mínimo de uma aposta desportiva é de 0,10 €, e não há limite máximo fixo — depende do evento, do tipo de aposta e do mercado. Os ganhos de uma aposta desportiva são pagos assim que todos os eventos da aposta terminam, num prazo máximo de 15 minutos.
Dois factos merecem atenção. O primeiro é a honestidade sobre os limites: sem tecto máximo, quem faz uma aposta grande depende do mercado e do evento — e quem faz uma aposta grande num mercado fino encontra a limitação que a casa se impõe. A casa que não tem limite fixo não é a casa que aceita tudo; é a casa que diz onde. O segundo é o prazo dos pagamentos, 15 minutos: é o mais explícito da lista, e é o que mais pesa na experiência de quem ganha. Uma coisa que a Solverde não faz é Cash Out — não está disponível nas apostas desportivas. Quem chega aqui a meio de um combate e quer sair, não sai. Isso coloca a Solverde num sítio estranho para o MMA: boa para quem aposta antes e quer o resultado liquidado depressa, má para quem taxa e desrate ao longo do evento.
SRIJ em 2026: quem entrou, quem saiu, quem está suspenso
A lista de entidades licenciadas mudou este ano. A 30 de julho de 2026, o SRIJ divulgou que a Retabet — a Retabet Portugal, S.A. — e a Vincino — a Play Jogo Limited — passaram a ser entidades autorizadas a explorar jogos e apostas online em Portugal, com as licenças emitidas a 24 de julho de 2026.
São duas entradas novas numa lista que, à data de 19 de outubro de 2026, nomeia 19 marcas. Treze com licença de apostas desportivas, das quais dez a operar e três suspensas a pedido do operador — a suspensão é uma pausa voluntária, e uma pausa que o próprio operador pediu. As marcas que aparecem em primeiro lugar nos resultados de pesquisa — as internacionais com .com e licença estrangeira — não estão na lista. Nenhuma delas. E o facto de aparecerem nos resultados de pesquisa não muda o que são: operadores sem licença em Portugal.
Uma nota sobre o que se vê no chão. Existem muitos sites sem licença, com domínio .com, licença estrangeira, bónus grandes e meios de pagamento. Não são a mesma coisa que uma casa portuguesa, e não se pode juntar a diferença com uma linha de rodapé sobre responsabilidade. Quem opera sem licença explora illegalmente — é o art. 49.º do RJO, crime de exploração, punível com prisão até 5 anos ou multa de até 500 dias. O regulador avisa que quem joga num sítio desses pode ainda enfrentar uma contraordenação, com coima entre 2 500 € e 25 000 €; essa classificação vem do SRIJ, e é do SRIJ que deve ser lida. O bloqueio é a ferramenta de trabalho: o regulador notifica o operador para parar em 48 horas e, se não parar, notifica os prestadores de serviços, que têm de tornar o acesso impossível em 48 horas. Até 31 de março de 2026, o SRIJ tinha contado 1 739 notificações a operadores ilegais, 2 930 sítios comunicados a prestadores e 71 participações ao Ministério Público. Notificado para bloqueio não é bloqueado. Um jogador num sítio sem licença não tem proteção legal e não acede às ferramentas de um operador licenciado.
O imposto: quem paga, quem não paga, e o que é certo
Do lado da casa de apostas, a lei é explícita. O operador paga o Imposto Especial de Jogo Online sobre apostas desportivas à cota — a 8 % das stakes, ou seja, do valor apostado mais a comissão cobrada, não da receita bruta. A escala progressiva de 8 % a 16 % que os textos antigos descrevem foi revogada; quem escreve «8–16 %» escreve uma regra que não existe. Créditos de bónus usados contam como stake.
Do lado de quem aposta, a situação é mais delicada e vale dizer exactamente o que é certo. À data de outubro de 2026, nas regras em vigor, os ganhos pagos por um operador licenciado não são tributados nas mãos do jogador e não são declarados. Esta é uma afirmação que vem da imprensa, não de uma página confirmada da Autoridade Tributária — e por isso o fecho obrigatório é: confirme com a Autoridade Tributária ou com um contabilista. Para ganhos de um sítio sem licença ou estrangeiro, a posição não está estabelecida. Não escreva «tax-free» nem «tributável»: nenhuma das duas é exacta. Uma proposta para tributar resultados anuais líquidos acima de 500 € no IRS é uma proposta, não é lei.
O imposto do selo de 4,5 % no preço de cada aposta e de 20 % sobre a parte de um prémio acima de 5 000 € é do regime de retalho da Santa Casa, do Placard em talão — e não se escreve para marcas com licença RJO. Confundir os dois regimes é o erro mais comum e mais caro de um texto sobre apostas em Portugal. Isto é um resumo de nível geral, não é conselho fiscal.
O que uma casa de apostas tem de mostrar para operar cá
Uma marca com licença SRIJ tem de ter, à vista, um conjunto pequeno de coisas. O logótipo do regulador e a referência da licença no sítio — não num rodapé de sete linhas, mas no sítio. O domínio sob .pt, com os acessos de Portugal todos redirecionados para lá. Verificação de identidade antes de uso pleno: Cartão de Cidadão, Chave Móvel Digital, verificação em tempo real através do SRIJ ou cópia de um documento. Uma conta por pessoa. Ferramentas de limite, depósito e perda, que incluam os créditos de bónus. Um mecanismo de autoexclusão que chegue ao registo central do SRIJ, não só ao sítio próprio.
Uma conta de pagamento nominal, com NIF, e levantamentos apenas para essa conta. Instrumentos de pagamento eletrónicos, em euros, porprestadores autorizados, que identifiquem o pagador. E a proibição de um operador fazer empréstimos a um jogador. Não há jogo anónimo.
Isto não é uma lista de desejos; é o que o RJO exige. E, como a lei não põe tecto de euros, o que o regulador fez foi exigir o mecanismo, deixando o número a cada operador. Um leitor atento não procura um tecto que não existe; procura limites publicados e uma autoexclusão que funciona a partir de dentro do registo.
Comparação das oito casas com licença do SRIJ
| Marca | Licença SRIJ e titular | O que os termos próprios dizem sobre o tema |
|---|---|---|
| Casino Portugal | n.º 007, SFP Online S.A. | Depósitos e levantamentos na app, acesso aos principais eventos desportivos; idade mínima de 18 anos com conta registada |
| ESC Online | n.º 008, Estoril Sol Digital | Freebet de 10 € por cada 10 € depositados, até dez freebets e máximo de 100 €; desbloqueio a cota 2,00 ou superior; ganhos pagos em dinheiro real |
| Betano | n.º 018, Kaizen Gaming International Limited | Oferta multiproduto em quatro etapas, até 250 €; aposta sem risco até 100 € na última etapa |
| Placard.pt | n.º 013, SAS Apostas Sociais | Aposta mínima de 0,10 €; ferramentas de limite de apostas, depósitos e perdas; autoexclusão a partir de três meses |
| Betclic | n.º 001, BEM Operations Limited | Cash Out na app e modo FastBet, com confirmação em três toques |
| bwin | n.º 002, GOBET-Entretenimento | Transmissões em direto de eventos selecionados; depósitos por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay |
| LeBull | n.º 027, Southern Stingray | Futebol, ténis e basquetebol com cotas em tempo real; remessa para a autoexclusão do SRIJ na app |
| Solverde | n.º 024, Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde | Aposta mínima de 0,10 €, sem limite máximo fixo; ganhos pagos em até 15 minutos; Cash Out indisponível |
Perguntas frequentes
Em que modalidades e competições se pode apostar numa casa licenciada em Portugal?
Só nas modalidades, competições e eventos que a lista do SRIJ aprova, e apenas nos tipos e momentos de aposta que a lista marca para cada desporto. MMA consta da lista, com apostas simples e múltiplas, antes ou em direto, conforme o que estiver aprovado. Uma aposta que não conste não está autorizada. E as categorias de formação estão sempre fora: qualquer prova abaixo do escalão sénior é proibida.
Como confirmo que uma casa de apostas tem licença do SRIJ?
Na lista de entidades licenciadas do SRIJ, atualizada a 19 de outubro de 2026, que nomeia 19 marcas, treze delas com licença de apostas desportivas. Confirme ainda o logótipo do regulador e o número da licença no próprio sítio, o domínio sob .pt e o titular da licença, que raramente tem o nome da marca. Uma posição num comparativo não é uma licença.
Como se calcula o que paga uma aposta a partir do valor apostado e da cota?
O retorno é o valor apostado vezes a cota; o lucro líquido é o valor apostado vezes a cota menos um. Uma aposta de 20 € a 1,90 devolve 38 € se acerta, e não se paga o valor apostado com um ganho de 20 € — o stake é o que se arrisca, não o que se recebe. Numa aposta múltipla, as cotas dos vários legs multiplicam-se numa só.
Como se vê nas cotas a margem que uma casa de apostas retém?
Somam-se os inversos de todas as cotas de um mesmo mercado e divide-se um por esse total: o resultado é a parte que o mercado devolve. A margem é o que falta para 100 %. Num mercado de dois resultados a 1,90, isso dá um retorno de cerca de 95 % e uma margem de cerca de 5 %. É a média sobre muitas apostas, não o resultado de uma.
Os ganhos das apostas desportivas pagam imposto em Portugal?
Quem paga é o operador, com o Imposto Especial de Jogo Online a 8 % das stakes — o valor apostado mais comissão, não a receita bruta. A escala progressiva de 8 % a 16 % foi revogada. Para o apostador, à data de outubro de 2026, os ganhos de um operador licenciado não são tributados nem declarados, mas isso vem reportado pela imprensa e não confirmado numa página da Autoridade Tributária: confirme antes de decidir. Para sites sem licença, a posição não está estabelecida.
Que limites de depósito e de aposta existem numa casa de apostas licenciada em Portugal?
Nenhum tecto legal de euros. A lei exige um mecanismo, e o mecanismo é o limite que o jogador se impõe, no mínimo diário, semanal ou mensal, válido apenas no operador onde foi definido, contando os créditos de bónus. Cada operador define os seus limites de stake e publica-os; o mínimo citado mais baixo numa casa portuguesa é de 0,10 €, e alguns operadores não têm máximo fixo, deixando-o depender do evento e do mercado.
Ténis e individuais – casasapostaslegais.com
Conteúdo criado pela equipa «casasapostaslegais.com»
